E eu durmo. Não só pelo prazer de dormir (para isso chega-me pouco), mas pelo desejo de sonhar. Porque todas as noites, quando escondo a cabeça debaixo dos lençóis, espero, religiosamente, adormecer bem depressa, para estar contigo, quentinha.
E nós falamos, sabes? Conversamos, rimos e até corremos, vê bem. E depois vamos para a nossa casa, eu volto para a caminha (desta vez vamos os dois), faço de conta que o teu peito é uma almofada, encosto-me a ti e tu dás-me beijinhos. E ficamos assim, até eu adormecer (sim, porque tu nunca tens sono).
De manhã, ao acordar, eu não abro logo os olhos porque sei que não estás lá, mas faço de conta que sim. E agarro-me a tudo o que é teu e imagino, com muita força, que ainda estou a dormir contigo. Então penso na tua cara a olhar para mim e reparo como é importante tocar-te com os olhos fechados (foi assim que te decorei). Demoro-me imenso neste não querer acordar. Não quero sair da tua beira, não quero saber que ao abrir os olhos tu não vais estar aqui, com o teu ar de sono, a dizer que estás enjoado com o leite.
Mas tem que ser. É por isso que às vezes só me levanto muito tempo depois de acordar, só para ficar mais um bocadinho no "teu" quentinho.
Já percebeste porque é que eu gosto de dormir?
segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008
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