- Anda lanchar! Fiz bolachinhas de algodão doce!
- Ai que bom! As tuas bolachinhas são do céu! Parecem feitas de nuvem!
- Então, são feitas de algodão!...
Ela deu um risinho tímido com a parvoíce que tinha dito. Ele deixava de se debruçar na janela e vinha ao encontro dela, que lhe dava bolachas como quem dá o mundo, e ele, feliz, pronto para as receber. Lá fora, com o céu cor-de-rosa-pôr-do-sol, grandes dentes de leão subiam às rodinhas pelo ar acima (quem sabe se eram nascidos de xuxus ou de outra coisa qualquer?).
- O que foi?
- É que esta manhã, quando saí de casa, ao nascer do dia, vi o quarto minguante.
- Mas isso não é possível!
- Porquê?
- Porque tu é que és a quarto minguante e tu estás aqui ao meu lado!
- Oh...
Beijou-lhe a testa com um beijo rechonchudinho como que dizendo "come e cala-te, anda lá...".
- Sabes, ontem à noite caiu-me uma estrela na orelha e agora não sai de lá.
- Outra?! Já te tinha caído uma estrela no nariz, agora foi uma na orelha? Será alguma doença?
- Não sei... Só se for estrilite...
Ele levantou-se, puxou-a para junto de si e encheu-lhe a cara de beijinhos - era o remédio para a estrilite.
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