sexta-feira, 1 de agosto de 2008
'Is it a crime to be this cute?'
Porquê? Tens problemas?
E se for?
Fofura é formusura.
Não, é 'pupi', vá.
Não me olhes assim,
de pés juntinhos
e dedo na boca.
Sabes o que te digo?
Coisas!
(mas com ar fofinho
e sopinha de massas)
É como diz o outro:
Tenho dito.
sexta-feira, 25 de julho de 2008
Porque sim!
No absurdo e inconclusivo
‘Porque sim!'
O completam-se torna-se inefável.
Arrastam-se roubos e rodopios
de ruminantes beijos
lacrados em semelhantes lábios.
Ávidos,
Insaciáveis,
Sôfregos!
Desesperados!!
Sente os sentidos – cala-te…
Toca o toque – cala-te e beija-me!...
Arranca a inocência – cala-te e beija-me agora!
Agora, o desejo frenético
Agora, a volúpia visceral
Agora, o ósculo ofegante
Anti-frívolo
Anti-volúvel
Alça libidinosa que escorrega no ombro;
O raspar adocicado da barba pelo pescoço;
Remoinho do cabelo frondoso;
Mãos essenciais (é poderoso!);
Dedos tácteis em cócegas imparciais!
- Ah! É esta a diferença entre
marquise e marquesa,
marquesa e marquise.
Marquise é nada!
Marquesa coisa nenhuma!
- Nada e coisa nenhuma –
- Tudo e alguma coisa –
(e MAIS alguma coisa)
Tudo ansiado,
Tudo esperado,
Tudo alcançado.
Olá Amor-Romântico! – doença mental
Viva Amor-Sensitivo! – doença vital
- Acorda!
(Rebola e rasga e o resto dos rrr…)
Deixa de dar nome às coisas,
olha que porra!
- Porque sim!
- É absurdo!
sábado, 28 de junho de 2008
Completam-se
E ela deixou de ser feita de palavras. Contudo, ainda possuía uma réstia de letras lá pelo meio. Agora, era feita de matéria amada, regia-se pelo sensível, traduzia-se na física através do absoluto da metafísica. Sentia-se mais feliz do que a felicidade inimaginável.
Caminhavam na areia macia da madrugada, como se pisassem com o maior dos cuidados as estrelas do céu. E assim viam nascer a aurora, na fímbria da despedida, sem se quererem libertar, prometendo que um dia mandavam tudo ao ar e não se iam embora! (Porque tenho que ir é pior do que está quase).
Ela, na sua Sabedoria organizada de santa, com uma distância de segurança do arriscar que ele tanto prezava e que em certa medida a irritava. Só queria um pouco da sua Loucura irresponsável e inteligente (ela adorava-a), da aventura e independência que não tinha a coragem de procurar.
“Completam-se” – diziam outros – “e têm tanto em comum”. Criavam sabores, achavam sentidos e tocavam emoções. Davam tanto e tanto ficava para dar.
O Amor só se define com um “Porque sim!” e assim é que é mágico (ou feérico), são eles que o descobrem à sua maneira.
E à medida que o amava mais e mais, também ela lhe roubava as filosofias.
domingo, 25 de maio de 2008
Avó
-Foi a minha mãe.
-A tua mãe estraga-te. Já lanchaste? Tem lá dentro cenourinhas, bolos de arroz e daquelas bolachas que tu gostas.
-Húngaros?
-Isso...
-Ana Sofia, está a dar a novela.
-Vou já, Avó.
Eram os olhos azuis que harmonizavam a cara rosada que cozinhava a massa com cenoura e a sopa que eu tanto gostava.
Ganhava o dia quando a fazia rir, afinal tinha sido ela que me ensinara, em pequenina, a acalmar as borbulhas; que me ensinara...
"Anjo da guarda, minha companhia
Guardai a minha alma de noite e de dia".
-Obrigada pela visita, um beijinho ao Pedro e ao pai.
-Está bem, Avó.
(E nunca lhes entregava esse beijinho, mas despedi-me da Avó).
"Would you know my name if I saw you in heaven?
Would it be the same if I saw you in heaven?
Would you hold my hand if I saw you in heaven?"
(já lá vai meio ano.)
quinta-feira, 22 de maio de 2008
Rumo
Depois ia embora, num vaguear apressado, trauteando musiquinhas com ritmos duvidosos (isto do Amor começara a torná-la pirosa, indo contra tudo o que pensava de si) e apercebia-se que percebera porque razão ele não gosta de chocolate.
Ao mergulhar naquele brilhozinho nos olhos via de que estes eram feitos; e deduziu, como se contasse um história, que ele já não precisava de mais, afinal já tinha a dose certa. E o sorriso... quando lhe sorria com ar de parvo dava vontade de lhe arrancar um pedaço de barba e levá-la para casa.
Eram aqueles minutos, por mais pequenos que fossem, que lhe faziam imaginar viagens sem rumo ("rumorumorumo") de mochila às costas, aldrabões destemidos e conversas com colheradas de gelado de caramelo com caramelo. Sonhos embalados por um gorro verde.
sábado, 3 de maio de 2008
Como nos romances a sério
Agora que vivia um dia de cada vez, saboreando o Sol e o Mar em fortes tragos, a sua pele escurecia levemente e tinha um novo cheiro a côco (como o dos biscoitos) que se acentuava nos dias de amuo quando ela se deitava na cama de maçãs.
Ele olhava-a assim, feliz, por entre as árvores, todas as manhãs, enquanto o vento tilintava o espanta-espíritos. Depois sentava-se na soleira da porta (ela rangia como as dos castelos das princesas), puxava do pensativo cigarro e em cada fio de fumo que lançava para dançar no ar via as carícias que lhe fazia com as pontas dos dedos enquanto esperava, sem pressas, que ela adormecesse nos seus braços, tal como haviam sonhado em outras quimeras. Recordou a noite que nenhum conseguia esquecer; repleta de risos, atrasos e bebidas («feérica!» - dizia ela), em que a tinha visto como uma fada envolvida em tanta música.
Era manhã de bons ventos, ela apareceu entre as cortinas de linho branco, quase sem se notar, com duas canecas coloridas nas mãos; trazendo, por carolice, a candura e a pureza no seu vestido fresco e um sorriso de «Bom dia!» nos lábios de ouro.
Quando a viu chegar, levantou-se, apagou rapidamente o cigarro e procurou os sapatos vermelho brilhante, mas só a encontrou descalça com ar de quem pergunta «Porque é que estás a olhar assim para mim?»
-Já estavas aí há muito tempo?
-Não, estava aqui a ver-te fumar, tinha curiosidade... Café?
Estendeu desastradamente a mão pequena ornamentada pelas pulseiras da sorte tentando não entornar nada.
-Sim, obrigado. Não estás a beber café, ou estás?
-Não - sorriu- nesta caneca só pára leitinho.
-O que foi?
-Quero olhar para nós.
-Como?
-Nos teus olhos.
-Porquê?
-Porque somos felizes.
Abraçou-a como se quisesse guardá-la nos seus braços, bem juntinha ao coração e deu-lhe um beijo na testa, daqueles que só ele sabe dar. Um ar, uma brisa, quem sabe, com todas as cores, intensidades e sentidos corria entre eles e, rebelde, brincava com os cabelos dela, como nos romances a sério.
-Sentiste?
Era o Amor que passava por eles, sem saber o que isso era.
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Upa, Neguinho
Porque me lembra uma noite feérica. Repleta de sons, emoções, impulsos, cerveja e uma ida dispensável à Ribeira.
(eu e o Ti já não paramos de a cantar)